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| ARCO RODOVIÁRIO DO RIO DE JANEIRO |
Em conjunto com o governo do estado do Rio de Janeiro, a Superintendência Estadual do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit/RJ) participa das discussões sobre um plano estratégico de transportes específico para os municípios atendidos pela BR-101. O desenvolvimento acelerado da região sul do estado provocou a criação de um grupo de trabalho para delinear as principais linhas do plano, após reunião do governador Sérgio Cabral Filho com o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot.
Entre as grandes obras da região estão uma nova siderúrgica, o porto de Itaguaí e a usina de Angra 3. “O fluxo de veículos vai aumentar muito no sul do estado. O presidente Lula sempre diz que, se houver bons projetos, existem recursos. Então vamos fazer bons projetos para nos habilitarmos a esses recursos”, disse o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que também integra o grupo.
Os dados disponíveis sobre fluxo de veículos e os projetos previstos para a região demonstram que serão necessários investimentos maiores do que simplesmente adequação da BR-101. “Nós notamos que há necessidade de novos investimentos, a partir de uma visão estratégica, para fazermos novas rodovias de acesso portuário. Se era uma via praticamente para o turismo, ela passa a ter um tráfego rodoviário mais intenso”, avalia Pagot.
Nos próximos anos, a região deve ter grandes investimentos. A usina Angra 3, que deve entrar em operação em 2014, já teve o reinício das obras aprovado. Até por questões de segurança, na hipótese de evacuação da população, se faz necessária a duplicação da BR-101 no local.
A pavimentação de vias estaduais de acesso a outros municípios também será necessária, já que podem ser utilizadas como rotas alternativas de fuga, em caso de emergência na usina nucelar.
Duplicação
Segundo conta o superintendente do Dnit/RJ, Rodrigo Costa, no trecho que vai do km 385 ao km 411,9, na BR-101 Sul, o órgão está executando uma obra de duplicação. Ele revela, no entanto, que o projeto básico foi desenvolvido há cinco anos: “Na época não se tinha a implantação da Companhia Siderúrgica do Atlântico – CSA -, nem a chegada do Arco Metropolitano Rodoviário. Agora teremos que fazer algumas mudanças de projetos, para adequar a rodovia a essas duas grandes demandas”.
As obras complementares devem ser licitadas ainda este ano. A duplicação também deve ser ampliada até o km 490, no entroncamento com a RJ-155. “Vamos fazer a adequação do trecho, de forma a encaixar quatro pistas, levando até Angra dos Reis”, explica Rodrigo Costa, “de maneira que quem mora tanto em Angra dos Reis, como em Mangaratiba ou Parati vai poder se beneficiar dessa nova obra que o Dnit vai propor na BR-101 Sul”. O objetivo é desafogar o congestionamento que ocorre na época de verão e na época de festas - em Itaguaí, Mangaratiba, Angra e Parati – e dar fluidez ao trânsito que hoje se encontra lento no trecho de Santa Cruz até Muriqui.
Arco Rodoviário do Rio de Janeiro vai beneficiar dez cidades
O projeto do Arco Rodoviário do Rio - interligando os municípios da Baixada Fluminense ao porto de Itaguaí - vai abranger gastos na infraestrutura básica em dez municípios da periferia pobre do estado, que estarão sob influência da obra. Com limitações de caixa para investir, o governo estadual do Rio pediu empréstimo de US$ 540 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para realizar as obras de infraestrutura, centradas em saneamento, saúde e transportes.
O arco vai facilitar o transporte no Rio e ligar rodovias federais ao porto de Itaguaí, trazendo grandes benefícios à logística de empreendimentos na região. Com destaque para o complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras, e a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), da alemã ThyssenKrupp em associação com a Companhia Vale do Rio Doce. O governo estima que os novos investimentos de empresas somam aproximadamente US$ 16 bilhões.
O trecho C do arco, o maior e mais importante do projeto, com 72 quilômetros de extensão que serão implantados, já recebeu repasse de R$ 700 milhões, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão é que o trecho fique pronto em dezembro de 2009. Como contrapartida, o estado do Rio de Janeiro investe R$ 228 milhões no trecho. Outros três trechos, que somam 70 quilômetros, estão sendo licitados pelo Dnit, cujas intervenções são de duplicação e a adequação de rodovias já existentes. O arco rodoviário será uma rodovia de pista dupla e prevê a construção de 9 pontes, 5 viadutos, 3 passagens inferiores e 3 passarelas.
Obra terá quatro trechos
O consórcio Odebrecht/Andrade Gutierrez vai construir o lote 1 do Arco Metropolitano, que vai do km 48,5 ao km 63, com extensão de 14,5 quilômetros. O lote 2, que se estende do km 63 ao km 82,6, com 19,6 quilômetros, ficará a cargo do consórcio
Carioca/Queiroz Galvão. Já o consórcio OAS/Camargo Correa construirá o lote 3, que começa no km 82,6 e termina no km 99,5, com extensão de 16,9 quilômetros. O lote 4, que vai do km 99,5 ao km 119,4, com 19,9 quilômetros de extensão, foi vencido pelo consórcio Delta/Oriente.
Na assinatura do convênio com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o presidente Luis Inácio Lula da Silva reconheceu o empenho da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) pela construção do Arco Rodoviário. “Pela insistência da sociedade e dos empresários, que há tantos anos pedem essa obra, fizemos a sua inclusão no PAC como a principal obra do programa no Rio de Janeiro”, disse.
O presidente do Sistema Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira lembrou que a obra é uma reivindicação da Firjan desde meados dos anos 90, e que até hoje vem sendo tratada como prioridade absoluta pela federação. A construção do Arco Rodoviário é uma das principais iniciativas previstas na parte de Infraestrutura do Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro. O documento apresenta ações dos setores público e privado que podem garantir o crescimento até 2015, levando a um aumento da qualidade de vida da população.
Antes mesmo do Mapa do Desenvolvimento, a importância do Arco já figurava no estudo “Rio de Janeiro, Um Estado de Logística”, encomendado a Eliezer Batista em 1997. Para o presidente da Firjan, a construção do Arco cria “um eixo que torna o fluxo de mercadorias mais eficiente entre as várias regiões do país, diminuindo o tráfego no gargalo em que se transformou o trecho entre a Ponte Rio-Niterói e a Avenida Brasil”, além de dar acesso eficiente ao Porto de Itaguaí.
O presidente da Firjan lembrou os investimentos de R$ 70 bilhões previstos para o estado nos próximos três anos, com a chegada do Complexo Petroquímico e de novas siderúrgicas, e disse que após a conclusão do Arco Rodoviário será possível atrair muito mais. “Esses investimentos têm o potencial de estimular uma formidável expansão industrial que irá mudar radicalmente a vida de mais de 4 milhões de pessoas que hoje vivem em uma das áreas mais carentes do Rio de Janeiro”, concluiu.Os investimentos totais na implantação dos quatro trechos da obra giram em torno de R$ 1 bilhão. O mais complexo deles, o trecho C, objeto do convênio assinado entre os governos federal e estadual, é o que vai ligar Duque de Caxias ao Porto de Itaguaí, cortando as BR-040, BR-465 (antiga Rio-São Paulo), BR-116 (Via Dutra) e BR-101 (Rio-Santos). Também na região o quarto segmento da obra é a duplicação, já iniciada, de 22 quilômetros da BR-101 (Rio-Santos), entre a Avenida Brasil e o distrito de Itacuruçá, em Mangaratiba. De acordo com o edital de licitação, os trechos têm de ser construídos por quatro consórcios ou empresas distintas. O processo foi iniciado com a participação de 35 empresas agrupadas em 18 consórcios. A escolha foi pelo menor preço.
Originalmente, o Arco Rodoviário foi planejado para ser uma parceria público-privada ou uma concessão, mas um acordo fechado entre os dois governos definiu que a obra será executada exclusivamente com recursos públicos. A contratação das empreiteiras e a supervisão da obra ficarão sob a responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) e o prazo para sua conclusão é de 24 meses.
“Além de gerar um grande impacto na economia fluminense, a obra vai desafogar o tráfego da Região Metropolitana, em especial da Avenida Brasil e da Ponte Rio-Niterói, e também vai facilitar o transporte de cargas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo ao Porto de Itaguaí, viabilizando este terminal”, ressalta o superintendente do Dnit/RJ, Rodrigo Costa. |